Radiografia aponta áreas em risco de desertificação em Serra Talhada, Floresta e outras cidades do Sertão

Um levantamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), apontou 37 áreas de Caatinga, entre o Sertão e o Agreste de Pernambuco, passíveis à desertificação. Entre as áreas consideradas prioritárias, destaque para Serra Talhada, Petrolina, Floresta, Timbaúba e Araripe, que responde por 90% do polo gesseiro no País.

Em Serra Talhada, por exemplo, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado estuda a criação de uma Unidade de Conservação de proteção integral nas matas do Veado e Luanda. “Temos menos de 2% de área de Caatinga ainda conservada no Estado. E quanto mais áreas protegidas, mais aumentaremos a  proteção à biodiversidade. Ao mesmo tempo que temos mais cobertura vegetal, enfrentamos a vulnerabilidade às mudanças climáticas e diminuímos o processo de desertificação no Estado”, acredita o secretário Sérgio Xavier.
As classificações se dividem em três: alta, muito alta e extremamente alta. Nesse quesito, Pernambuco se destaca entre os outros estados como o que possui uma maior vulnerabilidade (muito alta e extremamente alta), cenário acentuado pelo desmatamento. Dados do IPCC mostram, inclusive, que 80% do semiárido pernambucano são susceptíveis à desertificação. As áreas traçadas pelo MMA integram a segunda atualização da lista de áreas prioritárias para a conservação, divulgada recentemente no Diário Oficial da União, por meio da portaria 223. A última revisão ocorreu em 2006.

O diretor-presidente do Centro de Estudos Ambientais do Nordeste (Cepan), Severino Ribeiro, afirma que as más práticas de uso do solo aceleram a desertificação no Estado. Entre elas, a agricultura de corte e queima. Esta foi apontada como o principal vilão. “O manejo da agricultura de corte e queima contribui para a redução na qualidade do solo ao provocar processos de erosão.