Procurador do MPT diz que decisão de obrigar repórteres a dirigirem veículos partiu da TV Asa Branca

O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Caruaru, Adilson Pereira da Costa, informou que a decisão de obrigar os repórteres a dirigirem veículos de reportagens partiu da própria empresa, desmentindo a versão do RH da TV – comandada por Shirley Oliveira e o sobrinho, Victor Oliveira, candidato a prefeito em Serra Talhada,-  que a orientação partiu do Ministério Público.

Segundo o procurador, quando a empresa foi chamada a atenção por não pagar um adicional de motorista aos cinegrafistas, decidiu ampliar a obrigação aos repórteres, ou qualquer membro da equipe. Ou seja, o veículo fica a disposição da equipe e qualquer componente pode conduzir. Ao tomar conhecimento dessa brecha no MPT, resolveu dividir a “exploração trabalhista” para desobrigar de pagar ao cinegrafista, pois a função não fica atrelada a ele.

Como se não bastassem os baixos salários dos repórteres agora eles terão que dirigir sem ganhar mais por isso. Situação ainda pior que o cinegrafista, que faz a filmagem e fica desocupado, enquanto o repórter divide a concentração da matéria com trânsito, fica impedido de escrever e gravar offs no veículo. Quem é repórter sabe que atualmente é impossível acumular mais esta atividade no dia a dia. A urgência, essencial ao trabalho de campo, torna praticamente  inviável que o profissional ainda tenha a responsabilidade de conduzir o veículo estando sujeito a responsabilidade de arcar com as multas e também acidentes durante o desempenho de  de mais essa atribuição.

 

O ex-deputado Inocêncio Oliveira, é um dos proprietários da TV Asa Branca, afiliada da TV Globo em Caruaru, com sucursais em Serra Talhada e Garanhuns. Além da filha Shirley Oliveira, o neto Victor Oliveira, ajudar a administrar a empresa, pois passou vários dias na sede em Caruaru para entender como funciona a parte administrativa. Postura parecida com a que foi tomada na Rádio Líder FM em Serra Talhada, onde este jornalista foi exonerado e a função foi acumulada para outros três comunicadores sem ganhar nada por isso. Além disso, uma funcionária da OPEC foi demitida e a função acumulada para uma única pessoa.

Voltando a TV Asa Branca, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) denuncia que a empresa hoje quer acumular outra função, além da área de formação. Todos os que fazem televisão sabem da importância de ter um profissional do volante devidamente qualificado para esse fim e a necessidade do auxílio do motorista nas coberturas externas. Vale frisar que a TV Asa Branca já  impõem aos repórteres cinematográficos (cinegrafistas)  assumir essa tarefa  que não é inerente a sua função, com prejuízo para a qualidade do trabalho desses profissionais que são tão pressionados diariamente quanto os repórteres.

Tanto o repórter quanto o cinegrafista trabalham  com a cobrança de agilidade no envio da  reportagem para a emissora, o  que torna a função de motorista incompatível para o exercício das respectivas funções.

Para impedir essa prática danosa  da TV Asa Branca contra seus integrantes da equipe de reportagem, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) agendou uma reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir emergencialmente essa situação inaceitável.

A presidente do Sinjope, Cláudia Eloi, considerou a iniciativa um abuso por parte das empresas. “ Imagine um médico do Samu ter que dirigir a ambulância e ao mesmo tempo atender um paciente. Isso é um claro desvio de função e as entidades de proteção ao cumprimento às leis trabalhistas deverão ter a sensibilidade de reconhecer  que os profissionais não  podem ser mais penalizados. Somem-se a isso as já precárias condições de trabalho e baixos salários”, disparou a presidente do Sinjope.