Poeta Henrique Brandão presenteia nosso leitores com a poesia “Os Sertões”

Vi no céu uma linda nuvem meio escurecida
Avistei logo em seguida lindo relampejo
Um despejo de esperança, sobre nós caiu
E a seca se despediu do nobre sertanejo
Eu desejo que o sertão renove sua imagem
E a dor dessa estiagem, fique no passado
Quero ver no meu roçado, lavoura crescendo
Ver um cabrito correndo, rebanhar o gado
Nesse solo abençoado, brota a alegria
Cai a chuva de saudade verso e poesia.

Na ponta da estaca eu vejo a rolinha
Por dentro da mata se esconde um tatú
E a flor da esperança, é do mandacaru
Pois quando vem chuva, na certa adivinha
Nem vejo o carão cantar à tardinha
Com seu canto triste que traz muito azar
E na laranjeira, canta o sabiá
Contempla a beleza que tem no sertão
Eu tenho é riqueza aqui nesse chão
Maior que a riqueza da beira do mar.

O Araripe é sertão que tem cultura
Tem reisado, forró e vaquejada
São Francisco tem margens irrigadas
Suas frutas se banham com doçura
No “Central” se vê infraestrutura
E rebanho do bom no “Moxotó”
“Pajeú” tem poesia e tem forró
Meus “Sertões” têm riqueza pra mostrar
E você pode exaltar o seu lugar
Mas lhe digo, que o meu é bem melhor.

Aqui tem vários “Brasis”
Dentro de um Brasil só
Tem o Brasil do forró
O Brasil de “Seu Luiz”
Nosso Brasil é feliz
São Francisco ao Pajeú
De Floresta pra Exú
Pra São José do Egito
Se tu tem um lugar bonito
Eu tenho mais do que tu.

Quando eu falo no sertão
Eu me lembro de Gonzagão
O cangaço e Lampião
Personagens imortais
Nosso Sertão é capaz
De nascer a cada dia
Tem forró, tem poesia
E o que é que eu quero mais.

Tenho aqui um componente
Que engrandece esse chão
Meu povo é forte e valente
De alma e de coração
Traz no peito essa brandura
E na viola, a cultura
Tudo isso é meu sertão.

Chapéu de couro na testa
Um gibão, uma perneira
Todo dia é uma festa
Pra quem tem alma vaqueira
Pode até perder a vida
Mas perde batendo esteira.

Eu me sinto muito honrado
Por ser filho do sertão
Eu exporto essa cultura
Que alimenta a nação.

Posso até conhecer cultura nova
Mas no dia que eu for deitar na cova
Eu só peço que cavem no sertão.

-Henrique Brandão-
(SERRA TALHADA)