Fechamento de Hospital Psiquiátrico de Serra Talhada: Crise na saúde ou descaso da família Oliveira?

O Hospital São Vicente, o único hospital Psiquiátrico da região do pajeú, localizado no bairro Borborema, em Serra Talhada, será fechado no dia 1º de outubro, após 38 anos de funcionamento.

Durante entrevista ao programa Frequência Democrática, na rádio Vila Bela FM, um dos responsáveis pela gestão da clínica, Dr. Clóvis Carvalho  (Clovinho) admitiu que a decisão foi tomada por questões econômicas. “Fizemos todo tipo de economia e manobra para manter o hospital”, afirmou ainda antes da decisão procurou o prefeito Luciano Duque e até o governador Paulo Câmara para buscar uma solução, mas não houver retorno das iniciativas.

O hospital foi inaugurado em 1979 sob a tutela do deputado Inocêncio Oliveira, mas agora sem Inocêncio no poder (se aposentou após 11 mandatos de deputado), o substituto Sebastião Oliveira não está em Brasília, pois está licenciado para ocupar o cargo de secretário estadual de transportes, agora o hospital entrou em crise devido a política imposta pelo Ministério da Saúde. Segundo Clovinho, o governo federal‘congelou’ os repasses. O resultado será a demissão de 80 funcionários e pelo menos 120 pacientes que serão desalojados e ficarão sem tratamento.

Coincidência, ou não, o fechamento é anunciado na gestão do administrador substituto que representa a família Oliveira, o empresário Victor Oliveira. Na gestão dele já foi extinta a rádio pioneira da cidade, A Voz do Sertão AM, e arrendou a uma rede evangélica as rádios Transertaneja de Afogados da Ingazeira e Líder FM de de Serra Talhada.   CLIQUE AQUI E RELEMBRE A MATÉRIA

O médico Lourival Rodrigue, que atuou durante três anos na clínica psiquiátrica, não concordou com as justificativas do médico Clóvis Carvalho, e deixou claro que faltou interesse comercial e sobrou insensibilidade da família Oliveira na tomada da decisão.

“A psiquiatria sempre foi, a galinha dos ovos de ouro no grupo de saúde do ex-deputado Inocêncio Oliveira, e por diversas vezes salvou financeiramente o hospital São Vicente. É ingenuidade acreditar que os proprietários estão preocupados com demissão de funcionários ou falta de assistência aos pacientes psiquiátricos, essa pouca gente engole”, afirmou em nota ao Farol de Notícias.

Ele afirmou também que Dr. Clóvis Carvalho (sócio do hospital com 33% das cotas) não contou em sua plenitude:

“A Lei de Reforma Psiquiátrica reconhece pela primeira vez a pessoa com transtorno mental como cidadão, buscando regulamentar suas relações com outros portadores de transtornos mentais, profissionais de saúde, profissionais do direito, a sociedade e o Estado, uma vez que atribui a cada um o seu papel no tratamento. Com o intuito de desinstitucionalizar a pessoa com transtorno mental, a reforma criou projetos de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), residências terapêuticas e leitos psiquiátricos em hospitais gerais.

 

O Governador do Estado e o prefeito do município apenas estão obedecendo a lei. Se boa ou ruim é a lei”.

 

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