Diante do descrédito, governo anuncia duplicação da BR-232 (de São Caetano a Sertânia/distrito de Cruzeiro do Norte)

Na luta contra a descrença, governo lança pacote para melhorar rodovias, portos e ferrovias, inclusive no estado, onde destacam-se as obras do Arco Metropolitano e de duplicação da BR-232, até Sertânia. Tema do Em Foco do Diario de Pernambuco desta quarta-feira, por Luce Pereira. A imagem que ilustra a página é de autoria de Greg.
Em-Foco-1006
Luce Pereira (texto)
Greg (arte)
Os pernambucanos precisaram esperar quase 16 anos para ouvir que a terceira fase de duplicação da BR-232 (de São Caetano a Sertânia/distrito de Cruzeiro do Norte) deve sair do papel, segundo assegura o pacote de investimentos ferrovias e rodovias anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff. Ainda inclui obras no Porto de Suape e a construção do tão falado Arco Metropolitano, uma demanda das mais urgentes para a nova planta da Fiat, em Goiana, sem a qual o escoamento da produção da fábrica por via marítima vira um nó para o governo e uma senhora dor de cabeça para o grupo.
Foi uma terça-feira gorda, ao menos no que se refere ao volume de investimentos anunciado para melhorar a infraestrutura de ferrovias e rodovias federais (R$ 198,4 bilhões, dos quais o Nordeste ficará com R$ 4,2 bilhões). No entanto, ainda muito pouco para funcionar na cabeça da população como símbolo da retomada de um tempo no qual colhiam-se os frutos de uma economia que, se não era pujante, não navegava em mares tão revoltos. A impressão geral é de que os habitantes vivem com as barbas de molho, por conhecer os vendavais políticos e as mudanças de planos que eles podem provocar.
Somente para ilustrar o terreno dessas desconfianças, lembremos que a obra do Arco Metropolitano (entre o Cabo de Santo Agostinho, Goiana, Paudalho, parte de São Lourenço da Mata e Moreno) estava prevista para começar a ganhar contornos definitivos em 2013, mas ficou à sombra das decisões políticas, que naquele ano começaram a refletir as “torneiras fechadas” hoje vistas com clareza. A presidente Dilma havia prometido realizá-la com recursos públicos quando o estado já havia optado pelo modelo de concessão.
Além destas dificuldades, tão naturais na forma como o Brasil se conduz politicamente, qualquer entusiasmo é capaz de esmorecer diante da demora do início de grandes intervenções públicas. No caso do Arco teve, ainda, a ajuda extra de um entrave ambiental somente começado a ser desfeito no fim de abril, quando a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) entregou a Licença Prévia (LP) do lote 2 ao Departamento Nacional de Trânsito (Dnit). Só assim seria possível a publicação de edital de licitação contemplando os projetos básico e executivo.
Apesar do longo caminho a ser percorrido, o pacote trouxe para o governo uma chance real de “desengessar”. Em relação a Suape, eles ajudarão no reposicionamento de Pernambuco no cenário regional já a partir do início de obras consideradas emergenciais, como a construção do novo terminal de contêineres e do terminal de veículos. É para lá que vai, até o fim do ano, o centro de distribuição da Toyota.
Naturalmente, o pacote não é nem de longe o oxigênio de que o estado necessita para correr em busca do “tempo perdido” – o intervalo que fez a economia entrar num processo de queda livre –, mas ao menos deve produzir efeito psicológico positivo. O que já é alguma coisa num cenário onde grassam barbas de molho e pessimismo desmedido, contra o qual o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, lançou torpedo, ontem: “Não vai faltar dinheiro. Não adianta querer apostar que não vai dar certo”. Tomara.