Cine Sesi Cultural 2015 começa pelo Agreste e Sertão do Pajeú

São 14 anos de estrada, aportando em 665 cidades de 12 estados do Brasil, juntando mais de 4,7 milhões de pessoas para ver cinema na praça. Esses números dão uma ideia do lastro do Cine Sesi Cultural, mas são insuficientes para refletir o encantamento de quem tem contato com a tela grande pela primeira vez. Afinal, formação de plateia é uma das suas principais missões. E é com essa pegada que o projeto volta a Pernambuco, com a proposta de levar cinema de qualidade a 40 cidades do interior do Estado.  As apresentações começam nessa sexta-feira, 22 de maio, nas cidades de Itaíba, no Agreste; e São José do Egito, no Sertão do Pajeú. O acesso às projeções é sempre gratuito.

 

“É um trabalho de resgate do cinema e de formação de plateia”, define Lina Rosa Vieira, idealizadora e diretora do projeto de democracia cultural, que em 2015 está completando 14 anos. “E em muitas dessas cidades, as pessoas estão tendo essa experiência pela primeira vez”.

 

Lina explica que é uma tarefa árdua porque o processo de extinção das salas de projeção de rua foi devastador. Os motivos são os mais variados: a expansão da TV aberta ao longo das décadas de 1970 e 1980, o VHS (que já morreu), o DVD (que está moribundo). Mais recentemente, a chegada de TV por assinatura e até questões de segurança pública, fazendo com que as pessoas prefiram ficar em casa. “Além disso, a própria distribuição dos filmes sempre foi difícil. As salas foram ficando inviáveis financeiramente e acabaram fechando as portas”, observa.

 

Ela reconhece que esse processo aconteceu também nas capitais, mas os shoppings acabaram se tornando uma alternativa. “Praticamente não há mais cinemas de rua nas capitais. As pessoas passaram a optar pelas salas dos centros de compra”, reforça. Nesse sentido, o Cine Sesi também reafirma o direito à ocupação do espaço público pela população, já que as sessões acontecem em praças e pátios.

 

O PROJETO

Lina Rosa explica que o Cine Sesi busca equiparar a experiência cinematográfica do público da capital e do interior. “Estamos levando para o interior equipamentos de projeção e de som equivalentes aos que as pessoas que moram nos grandes centros urbanos experimentam quando vão ao cinema”, explica. São projetores de alta resolução e sonorização compatível. “Nos empenhamos para que a experiência seja rica, que deixe um gostinho de quero mais nas pessoas e uma possibilidade de surgimento ou reabertura de um novo cinema. ”.

 

Outro desafio, segundo a idealizadora, é montar uma programação que cative o público. As exibições acontecem na praça principal da cidade, onde são colocados cerca de 500 lugares  e, inclusive, tapete vermelho e pipoca quentinha, feita na hora. “Não pode faltar nada”, brinca Lina Rosa.

 

A escolha dos longas é pautada pelas seguintes exigências: filmes com bom padrão de qualidade técnica e de conteúdo, tendo a sexta-feira como espaço para a comédia, o sábado voltado para a reflexão e o domingo para o encontro da família; filmes que fazem parte da produção de cinema nacional prioritariamente ou que valorizem profissionais brasileiros; filmes que caibam na indicação de todas as idades (levando em consideração o fato de as exibições serem ao ar livre, filmes indicados para o público acima de 14 anos não podem ser selecionados); filmes que priorizem não somente o divertimento dos espectadores, mas a formação de plateias inteligentes; por fim, filmes que estejam liberados para as projeções do Cine Sesi.

 

Mas, o Cine Sesi não trata apenas de exibir filmes. O projeto também leva oficinas de cinema e animação para algumas cidades contempladas no projeto. Os curtas produzidos pelos alunos são exibidos na telona, na sua cidade e em outras.  No total, o Cine Sesi percorrerá quarenta cidades do interior pernambucano, com apresentações às sextas, aos sábados e aos domingos, quando serão sempre exibidos curtas e longas metragens. O projeto começa agora no dia 22 e se estende até meados de outubro. Haverá uma pausa de três semanas em junho, devido aos festejos de São João.

 

HISTÓRICO

O Cine Sesi Cultural é um projeto patrocinado pelo Sesi. O projeto já passou por mais de 665 cidades, algumas delas mais de uma vez, do interior de 12 estados do País, atingindo mais de quatro milhões e setecentas mil pessoas desde 2002 até hoje. Gente que, na sua grande maioria, nunca tinha visto cinema na vida. O acesso às projeções é sempre gratuito. Nesse ano de 2015, o Cine Sesi completa 14 anos de estrada e volta a Pernambuco. A partir do mês de maio, o Projeto percorrerá mais 40 cidades do interior pernambucano. É a 11­ª edição do projeto no estado, envolvendo 105 municípios e um público de mais de 1 milhão de pessoas.

 

SERVIÇO:

CINE SESI 2015

 

SÃO JOSÉ DO EGITO

Local: Rua Pedro Paes de Lira

Data: 22 a 24 de maio de 2015, a partir das 18h.

ITAÍBA

Local: Praça de Eventos

Data: 22 a 24 de maio de 2015, a partir das 18h.

 

 

FILMES:

Curtas

Sex: Salu e o Cavalo Marinho

Sáb: Pimenta

Dom: Leonél Pé Vento

 

Longas

Sex: Cine Holliúdy

Sáb: A Busca

Dom: Os Croods

 

RESUMOS DOS FILMES

 

CURTAS:

 

SALU E O CAVALO MARINHO

O filme conta a história de Mestre Salustiano, um dos artistas populares mais famosos do Brasil. Filho do rabequeiro, João Salustiano, começou logo cedo o sonho de participar de um grupo de Cavalo Marinho, folguedo típico da região onde mora. O curta é dirigido e produzido por Cecília da Fonte e Marcos Buccini. O roteiro da animação é de André Muhle e Cecília da Fonte.

 

LONGAS

 

CINE HOLLIÚDY

Interior do Ceará, década de 1970. Marcado pelo senso de humor único dos cearenses, Cine Holliúdy é inspirado no curta-metragem, premiado nacional e internacionalmente, Cine Holiúdy – O Astista Contra o Caba do Mal”.  A popularização da TV permitiu que os habitantes da cidade desfrutassem de um bem até então desconhecido. Porém, o televisor afastou as pessoas dos cinemas. É aí que Francisgleydisson entra em ação. Ele é o proprietário do Cine Holiúdy, um pequeno cinema da cidade que terá a difícil missão de se manter vivo como opção de entretenimento.

 

A BUSCA

Um pai – o médico Theo Gadelha, 35 anos – é obrigado a jogar-se na estrada em busca de seu filho Pedro que desaparece no fim de semana em que completaria 15 anos. O repentino e inexplicável sumiço do filho é a última carta a desabar no castelo de Theo. Seu casamento de 15 anos com Branca acaba de ruir. Theo saiu em busca do filho, mas acaba encontrando seu pai, com quem não fala há vários anos. De cara para o pai, enxerga a si mesmo, redescobre o filho e se desarma com a mulher que nem por um momento deixou de amar. O longa conta com a direção de Luciano Moura, produção de Fernando Meirelles e Andrea Barata e roteiro de Elena Soarez. No elenco, Wagner Moura, Lima Duarte, Brás Moreau Antunes e Mariana Lima.

 

OS CROODS

A animação da DreamWorks Animation trata as histórias de uma família pré-histórica, escondidos na maior parte do tempo dentro de uma caverna. A família é composta por: Grug, a esposa Ugga, a vovó, o garoto Thunk, a pequena e feroz Sandy e a jovem Eep. O problema é que Grug, o patriarca, é rígido com as regras que fizeram a família sobreviver durante tanto tempo no mundo, ele morre de medo do mundo exterior. A direção e roteiro é de Chris Sanders e Kirk DeMicco.