Cabo Valdevino envia a primeira carta aberta após prisão e se defende da acusação de crimes em Serra Talhada

Algum tempo após a família divulgar que iria nos enviar uma carta aberta para divulgarmos à sociedade serratalhadense,  o cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), Cícero Valdevino da Silva,  se pronunciou pela primeira vez, por meio da família, desde a prisão em 7 de maio do ano passado, quando foi acusado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), de Recife, de pistolagem e a prática de cerca de 30 homicídios. Desde então, está detido no Centro de Reabilitação da Polícia Militar (Creed), no Recife, juntamente com o sargento Luciano Soares. Confira o teor da carta escrita à mão que transcrevemos:

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“Eu, Cícero Valdevino da Silva, cabo da Polícia Militar de Pernambuco, venho através desta simples nota dar resposta às calúnias referentes a minha pessoa que circula nos meios de comunicação de Pernambuco, em especial blogs da região e da cidade de Serra Talhada. Foi um absurdo como jogaram meu nome e minha imagem na mídia, tachado como chefe de quadrilha, pistoleiro e outros nomes. Tentando com isso causar grande comoção pública, principalmente na população serra-talhadense. Como puderam fazer tudo isso com uma pessoa como eu, que sou nascido e criado na cidade e que nunca cometi crime algum?

Lembro-me muito bem que esses mesmos delegados da cidade do Recife estiveram aqui, em Serra Talhada, para investigar três homicídios ocorridos no mês de março que ficaram conhecidos como rixa do vereador Cição com essas pessoas. O mesmo foi chamado juntamente com seu irmão para prestar esclarecimentos sobre tal fato, sem que nada tenha se constatado; logo depois de um ano o vereador foi assassinado. Agora, vem esses mesmos delegados querendo envolver pessoas que não têm nada a ver, como eu, Cícero Valdevino e o sargento Luciano. Até o mandado de prisão provisória e todo o inquérito consta a matrícula do vereador Cição (28.397-5), com o meu nome ao invés do nome dele.

No meu ponto de vista todos éramos cartas marcadas, onde nesse cenário existem pessoas culpadas de um crime que até agora eles não conseguiram apontar, e existem pessoas como nós, culpados para um crime em uma forma de fraude de processos. Por que digo isso? Eles estão querendo nos envolver em inquéritos que já existia na delegacia e que numa forma de justificar tamanho absurdo que eles divulgaram em coletiva de imprensa, colocando eu e o sargento Luciano como bodes expiatórios. Inclusive, as armas apresentadas na coletiva que disseram pertencentes a grupos de extermínio, na verdade, a 12, o revólver e a pistola 380 de inox são do comerciante Joaquim. Foram apreendidas na rua residência com mandado de busca, onde tais armas são todas legalizadas e registradas.

A pistola ponto 40 com três carregadores que estava comigo na hora em que fui detido é carga do 14º BPM, ou seja, pertence ao Batalhão, como também a ponto 40 do sargento Luciano pertence ao Batalhão. E o revólver devidamente registrado, que é propriedade do sargento Luciano. Por aí se vê o tamanho da arbitrariedade desta prisão descabida. Pois nesses meus 29 anos de carreira militar nunca fiz qualquer coisa que viesse desabonar minha conduta ou envergonhar minha farda. Pois passei por vários serviços operacionais: Rocam, 2º seção por nove anos e atualmente Gati e desde 1993 aqui em Serra Talhada com um histórico de ocorrências de prisões, flagrantes delitos, grandes apreensões de drogas e armas de fogo. Sempre contribuindo com a Justiça de toda a área do 14º BPM e com a sociedade de Serra Talhada, sempre com muito profissionalismo.

Por duas vezes fui escolhido como o melhor policial operacional em pesquisas realizadas pelo jornal o Binóculo de Afogados da Ingazeira, pelo Ministério Público por conseguir desvendar homicídios e com uma ficha de quase 300 elogios concedidos a minha pessoa pelos meus comandantes do 14º BPM e até do Comando Geral. Com tudo isso estamos perplexos com tamanha inversão de valores em relação à nós policiais militares e os verdadeiros criminosos que estão a solta. Desde o dia 07 de maio me encontro recolhido arbitrariamente sem que nunca fui ouvido por ninguém sobre tais acusações, tendo em vista que sempre estive com ocorrências na delegacia e nunca nada contra a minha pessoa foi imputado. E em apenas um mês e meio de investigação esses delegados, de forma injusta, tentam criar certas atribuições criminosas a minha pessoa, como também ao sargento Luciano.

Porém, não temerei de forma alguma uma vez que não devo nada e isso vou provar, pois sou inocente e nunca cometi nada do que estão me acusando. Mas primeiramente temos muita fé em Deus e esperamos que o Ministério Público e as autoridades competentes tomem as devidas providências para que a injustiça que estamos passando hoje, outros não venham a passar. Que a Justiça seja feita e que possamos voltar ao convívio dos nossos familiares que também estão revoltados e angustiados com tudo o que está acontecendo.

Agradeço desde já pela oportunidade.

Atenciosamente,
Cícero Valdevino da Silva