Apesar de campanha de conscientização do ‘Setembro Amarelo’, Serra Talhada registra suicídios essa semana

A campanha do ‘Setembro Amarelo’ em Serra Talhada foi puxada por estudantes e professores do curso de psicologia da Facisst (Faculdade de Ciências da Saúde de Serra Talhada) e contou com palestras, debates e oficinas de sensibilização alertando para a prevenção e a realidade do suicídio no país.

Mesmo com esse trabalho preventivo ocorreram dois casos essa semana em Serra Talhada-PE. O último foi registrado na Rua Enock Carvalho, nº 568, AABB, Serra Talhada-PE.

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A estudante Isadora, A, B, 19 anos, solteira foi encontrada morta em casa e segundo testemunhas a polícia, ela teria cometido suicídio. A jovem inteligente e bonita era filha de Ivanildo Barros e Kerlany de Jaime Andrada, dona da cristal.

 

O outro caso foi registrado na última terça (4), no bairro da Cohab, envolvendo um mototaxista de 37 anos, que praticou o ato após matar a própria esposa.

 

Em conversa com o Farol de Notícias, a psicóloga Mêres Mourato, especialista em terapia cognitiva comportamental pela Unicap, informou que o suicida não quer tirar a própria vida, mas por fim a uma angústia que o afeta no momento. “Ele tenta matar o problema. Comumente isso é chamado de cinco minutos de loucura”, reforça. Ela atenta especialmente para o quadro depressivo que pode levar ao suicídio e que, por isso, necessita do acompanhamento constante de um especialista.

O paciente deprimido nem sempre apresenta para os amigos e família aquele clássico comportamento de tristeza excessiva, enfatiza Mêres Mourato. “O transtorno depressivo pode ser mais sutil, manifestando-se como perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, ausência de planos para o futuro, alterações do padrão de sono, isolamento social ou baixa autoestima. Alguns dos fatores psicológicos associados à depressão são traumas na infância, estresses emocionais e depressão pós-parto”. Segundo os psicólogos, o papel da família é de extrema importância na medida que compreende e tenta ajudar o ente querido, com o apoio essencial do profissional da área.

“A depressão é uma das grandes causas do suicídio e essas pessoas devem estar sempre assistidas. Na minha metodologia, não trato a depressão como doença, mas como sintoma. Como a febre, por exemplo, é sintoma de infecção a depressão chega dizendo: ‘olha, eu preciso rever a minha vida’. Ainda nesta analogia, como um resfriado evolui para uma gripe e depois uma pneumonia levando a morte, assim é com a depressão. O papel da família nesse momento é importantíssimo, pois deve estar sempre junto da pessoa e com o auxílio do especialista que poderá ajudar o paciente a enxergar uma nova orientação para a vida, encontrando junto com ele novos caminhos e possibilidades. A depressão pode afetar qualquer um de nós”, assegura o padre e mestre em psicologia clínica, Otaviano Bezerra.

Mêres Mourato alerta para o aparente amadurecimento precoce dos jovens e conta que muitos pacientes seus com quadro de depressão já pensaram em tirar a própria vida, mas com ajuda mudaram de ideia. “Eu recebo diversos pacientes em meu consultório que começaram o tratamento da depressão e hoje agradecem por não ter tido coragem de tirar a própria vida. Alguns casos nos fazem pensar nas relações familiares, como nós serra-talhadenses estamos desenvolvendo a nossa dinâmica familiar. As crianças precisam de amor desde a primeira infância e isso deve continuar na adolescência, os adolescentes hoje parecem mais maduros, mas não são. Precisam do acompanhamento dos pais constantemente”, complementa.

Quem precisar de ajuda pode procurar a clínica escola da Fassist ou então ligue e marque uma consulta o número é (87) 9 9960-9332.